Esse post é basicamente a tradução do texto da WP Tavern com algumas adições e considerações. A apresentação inteira está disponível no YouTube. O texto é gigante, então se você estiver com preguiça de ler, faça uma pipoca e assista à versão em vídeo:


No último dia 21, Matt Mullenweg subiu ao palco do WordCamp Europa em Berlim para uma atualização sobre o progresso do editor de blocos. Ele atribuiu muito de seu sucesso ao fato do Gutenberg estar disponível como plugin, o que permite versões sendo lançadas mais rapidamente e mais testes. Mais de 150.000 posts são publicados por dia usando o editor de blocos, o que, segundo Mullenweg, é “uma recompensa a todo o longo período de desenvolvimento” que deu chance à equipe de corrigir erros e disponibilizar o editor para um imenso número de pessoas.

Desde sua primeira versão, o editor de blocos recebeu melhorias significativas, incluindo capacidades de gerenciamento dos blocos, um bloco de capa com elementos aninhados, widgets como blocos, agrupamento de blocos e alertas no formato de popups no canto da tela (também chamados de snackbars ou toasts por quem é da área).

Mullenweg também destacou bonitos e inovadores exemplos do uso do Gutenberg pelo mundo. Dois projetos da Human Made demonstram designs baseados no Gutenberg: artefactgroup.com e uma integração com IA que analisa a escrita do usuário no editor (ingenuity.siemens.com). Através das apresentações, Mullenweg falou várias vezes do plugin CoBlocks, que agora pertence à GoDaddy.

A época de eleições está chegando nos E.U.A e sites baseados no Gutenberg, como o hurst4delegate.com, estão começando a aparecer. Matt observou que 19 dos atuais 21 candidatos democratas à presidência estão usando o WordPress em seus sites. Whitehouse.gov também trocou o Drupal pelo WordPress no começo deste ano.

A troca de conhecimento com outras comunidades de código aberto também foi pauta para Mullenweg, que destacou que tanto Drupal quanto Laravel já possuem suas próprias versões do Gutenberg. Ele também prevê a integração com várias outras ferramentas, bem como a possibilidade de novos blocos sendo disponibilizados para todas as plataformas ao mesmo tempo.

Mullenweg também deu uma prévia rápida dos próximos recursos do Gutenberg, que ainda estão em desenvolvimento no GitHub. A maioria deles ainda são só protótipos. A equipe está criando um sistema para instalar novos blocos sem sair da tela, que estará ligado ao diretório de blocos que já está sendo planejado. Matt disse que os blocos podem se tornar um item principal no menu de administração do WordPress, com telas dedicadas à descoberta de novos blocos.

Ele mostrou o progresso dos blocos de navegação, um protótipo que adiciona animação ao mover um bloco, um bloco experimental de notas de rodapé e também imagens sendo redimensionadas “aderindo à uma grade” (seguindo um grid pré-determinado ao invés de simplesmente ter um tamanho qualquer). Mullenweg disse que um dos objetivos do Gutenberg e do WordPress, além de democratizar a publicação de conteúdo, é “tornar possível criar experiências bonitas, porque isso é parte do que a internet precisa para progredir”.

Mullenweg também comentou sobre o progresso do Gutenberg nos aplicativos móveis. Ele disse que o novo editor é operacional, mas o desenvolvimento segue devagar porque os desenvolvedores mobile precisam essencialmente duplicar todo o trabalho feito até agora por centenas de colaboradores do Gutenberg.

Antes de encerrar, Mullenweg lembrou que isso tudo aconteceu em apenas 7 meses, que encarou as queixas de que tudo andava muito rápido como elogios e que deseja manter esse ritmo. Ele lembrou ainda que estamos na fase 2 do Gutenberg, sendo a fase 3 focada em edição simultânea e a 4 no suporte a vários idiomas.

Perguntas e respostas destacam governança, manutenção do core e o futuro dos temas WordPress

A sessão de perguntas e respostas englobou vários tópicos, indo de uma tirada agressiva sobre licenciamento e a Envato, até perguntas mais relevantes sobre o futuro dos temas WordPress. Apesar deste formato ter seus problemas, ele dá aos membros da comunidade a oportunidade de perguntar sobre assuntos mais particulares.

Um participante perguntou sobre os planos de implementação sobre uma estrutura mais democrática no processo de decisões do WordPress.org. Mullenweg parece ter interpretado a pergunta como uma referência a um sistema onde dezenas ou centenas de milhões de usuários do WordPress participariam decidindo sobre recursos através de votações ou alguma outra forma de comentário. Ele disse que a abordagem atual do WordPress é que as lideranças tentem entender quais são as questões mais comuns através de pesquisas e canais públicos e que permitam que estas questões ajudem a definir os próximos passos do projeto.

Mullenweg compartilhou que um problema em particular está nos seus pensamentos agora: “como fazer meu tema ficar parecido com a demonstração?” Ele disse que colaboradores estão experimentando novos modelos de tomada de decisão que levarão o WordPress para a solução de problemas deste tipo.

Ele também comentou que as tomadas de decisão do projeto são bastante transparentes, sem muito mistério, e que a comunidade tem várias formas de enviar comentários. Este é um assunto um pouco controverso, como já foi expressado por alguns colaboradores frustrados com a falta de comunicação da comunidade com relação a planos, decisões e datas de lançamento, como aconteceu no lançamento do WordPress 5.0. A comunidade se sentiu frustrada com a falta de formas eficazes de comunicar problemas críticos e registrar queixas sobre a liderança do projeto. Buscando melhorias neste ponto, Josepha Haden, a nova diretora executiva do projeto WordPress, tem sido muito diligente em acompanhar e relatar como a liderança do projeto está trabalhando para melhorar a comunicação.

Outro participante perguntou se os temas WordPress se tornarão obsoletos depois que o Gutenberg ganhar mais capacidades na construção dos sites. Mullenweg disse prever os temas como uma parte do WordPress para sempre, mas pareceu inclinado a permitir que o mercado decida o seu destino.

Mullenweg disse: “Eu não sei. Eles vão mudar, com certeza, mas não acho que eles vão sumir”. Ele disse que conseguia ver desenvolvedores oferecendo uma gama de diferentes designs que poderiam ser usados como ponto de partida. Apesar dos temas WordPress terem uma definição bem específica agora (assim como o tipo de arquivos que os compõem), Mullenweg disse que é provável que essa definição evolua com o tempo. Ele também comentou que vê os temas se tornando um modelo inicial ou uma biblioteca de padrões a serem escolhidos, ou ainda um conjunto de layouts complexos que poderiam trabalhar com vários visuais diferentes.

“Acho que vamos separar um pouco os temas, mas eu não sei como ou com o que eles se parecerão”, disse Mullenweg. Ele também observou que vários temas agora possuem estética similar, minimalistas, voltados para negócios, usando branco e azul como cores principais. Tendências de design podem mudar drasticamente enquanto o Gutenberg e os temas evoluem para permitir que usuários tenham mais controle sobre a forma como seus sites são exibidos.

Não é segredo que a comunidade de desenvolvimento do WordPress está ansiosa para usar o GitHub ou qualquer outra infraestrutura baseada em Git no desenvolvimento do core. Projetos de recursos mais recentes amadureceram com sucesso no GitHub, com a maior parte do trabalho e da discussão fora do Trac. Um participante perguntou sobre a possibilidade de parar de usar o Trac num futuro próximo. Mullenweg disse que este ano a equipe que trabalha no WordPress.org está priorizando alterações no diretório, mas enquanto isso todo mundo com conhecimento em Python é bem-vindo a contribuir com melhorias para o Trac, antes que o WordPress possa partir para um desenvolvimento baseado em Git.

Em resposta à uma questão sobre tecnologia blockchain e o WordPress, Mullenweg disse ser um entusiasta desta área desde 2010 ou 2011, e que ama a ideia de código aberto aplicado a dinheiro, assim como um registro distribuído.

“Eu não consigo pensar em nenhum problema no core do WordPress agora que seria resolvido usando blockchain“, ele disse. “Tudo que eu posso pensar provavelmente estaria no território dos plugins”. Entretanto, ele disse que o registro de data de publicação de um conteúdo no WordPress pelo plugin WordProof usando blockchain está entre uma das melhores ideias que ele viu para esta tecnologia até agora.

A Anyssa Ferreira, GTE da comunidade brasileira, uma das organizadoras da comunidade de São Paulo e sócia da Haste Design, depois de comentar sobre a popularidade do WordPress no Brasil e a necessidade de aumentar o nível profissional dos desenvolvedores bem como educar os clientes, perguntou se há planos da Fundação WordPress para o Brasil, América do Sul e outras áreas emergentes. Sem saber muito, Matt perguntou na hora se havia novidades para Josepha, que comentou sobre o WordCamp Latin America. Mullenweg contra-argumentou que se poderia tentar fazer alguma coisa a mais, devido à importância do mercado brasileiro. Ele também demonstrou curiosidade em saber como seria a dinâmica de um evento com diferentes idiomas, já que tanto o WCUS quanto o WC Europa são em inglês.

Ao ser questionado sobre como ele planeja “balancear a busca por coisas novas com todas as APIs já existentes no WordPress”, Mullenweg disse que “o PHP será crucial para nós nos próximos anos”. Ele reconheceu que o projeto tem ficado para trás na manutenção de algumas de suas APIs antigas, mas que o trabalho com o Gutenberg pode avançar em paralelo a isso.

A nova equipe de triagem está atualmente revisando todos os tickets, atualizando patches e trabalhando em sua resolução. Mullenweg ainda destacou que este WordCamp Europa organizou a primeira mesa de triagem da história em seu dia de contribuição.

Questionado sobre a opinião que tinha da API REST em 2016, quando ele não via tanto uso assim para ela, Mullenweg comentou que, apesar de ter recebido amplo suporte e ter tido colaboradores notáveis, essa foi uma área que dificultou o progresso do Gutenberg. Ele disse que a API continha problemas básicos, inclusive de segurança, que tiveram de ser corrigidos, mas que disso aprendeu que deveria ter usado a API internamente antes de publicá-la.

Mullenweg concluiu as perguntas e respostas estimando que o Gutenberg percorreu apenas 10% de seu caminho na solução de problemas que os colaboradores do WordPress pretendem resolver. Ele prevê que este será o caminho por 10 ou 15 anos, quando teremos que repensar tudo com realidade virtual ou algo do tipo.